A minha terrivel experiência no maravilhoso mundo da amamentação


Cada vez mais a amamentação é louvada e colocada num pedestal.
Basta dar uma vista de olhos pelas redes sociais para perceber a tendência de defender o aleitamento materno em exclusivo.
Todos sabemos que o leite materno é o melhor para os nossos bebés e também para os nossos bolsos já que o leite artificial custa os olhos da cara!
Mesmo assim, existem umas loucas (como eu) que nunca conseguiram seguir esta recomendação à risca e se muniram de LA  desde o primeiro dia de vida do bebé.
A verdade é que antes do meu filho Martim nascer, eu achava que os momentos de amamentação eram pedaços do paraíso - momentos calmos e tranquilos onde se olhássemos bem conseguiríamos ver corações a dançar à nossa volta tal era a pureza e o amor que existia neste acto.
Isto era o que a imagem que a propaganda do aleitamento materno - com mães sorridentes de maminhas impecáveis a dar de mamar a bebés gordinhos e carequinhas me passavam...um verdadeiro sonho.
Em todas as consultas no hospital era bombardeada com informações sobre os benefícios da amamentação; as velhota que encontrava na mercearia olhavam para a minha barriga e diziam "nada como o leitinho da mãe para os gaitos crescerem com saúde" e os meus próprios familiares faziam contas ao meu orçamento e diziam" tu nem penses em não dar de mamar, já viste quanto gastavas ao final do mês?!".
É claro que entrei na maternidade com a cabeça formatada, e para mim não havia outra opção, eu ia dar de mamar em exclusivo!!
Assim que nasceu, o Martim agarrou-se à minha maminha. Fiquei encantada, não custa nada e ele fica aqui todo sossegadinho. Tão sossegado que só dormia e nada comia.
No dia seguinte a maminha já começava a ficar irritada, e a criança continuava a dormir sempre tranquila, tão tranquila que nada comia. Com o passar das horas as minhas queridas maminhas transformaram-se em melões efervescentes que só com o simples toque da camisa de dormir me ofereciam dores dignas da extracção de um siso. 
Maminhas (para não chamar mamonas que fica feio) inchadas, gigantes, cheias de nódulos a doer horrores e um bebé irritado por não estar a conseguir sugar tanto leite como o desejado de uma vez só. Isto para não falar dos bicos em sangue (mesmo usando os bicos de silicone). Cada vez que chegava a hora de dar de mamar rezava três "Avê Marias" e sustinha a respiração....era por isso um momento de terror e nervos, nada parecido com o que eu tinha idealizado.
Ao fim de três dias, já de "mala e cuia" pronta para voltar para casa, dizem-me que vou ter que ficar na maternidade mais uns dias porque o bebé perdeu mais peso do que o esperado.
Depois de toda a lavagem ao cérebro que me fizeram durante a gravidez sobre o aleitamento materno, o que é que as mesmas enfermeiras me trazem para dar ao bebé??? umas garrafinhas de leite artificial!
O que é que acham que aconteceu?...ele começou a usar a maminha só para chucha e enchia o bandulho com o leite artificial. Ao fim de dois meses o meu leite secou.
Por todo o lado que passava as perguntas eram sempre as mesmas : "Dás mama não dás?"; "Tens muito leitinho?", "Ele mama bem?" e as caras alegres mudavam de expressão sempre que eu contava que já não tinha leite e que ele bebia muito bem o biberão. Quase sempre seguia-se um "coitadinha" e um olhar de crítica que muito me irritava e magoava na altura.
Muitas pessoas, sem o saberem, fizeram-me sentir que estava a ser menos mãe por não ter leite, que não estava a conseguir dar o melhor ao meu filho e muitas vezes chorei por achar que devia ter feito alguma coisa de errado para que o leite tivesse secado.
Hoje olho para trás e só me dá vontade de dar um abanão à Andreia daquela altura. É que hoje eu já sei que as mães não se medem pela quantidade de leite que produzem. As mães, as boas mães, medem-se pela quantidade de amor, afecto, carinho e protecção com que educam os seus filhos, apesar de todas as contrariedades, apesar de todos os planos furados, apesar da vida.
É por isso que eu acredito, que tudo na educação das crianças é muito bonito, mas o mais importante é respeitar cada família, cada mãe e cada pai e aceitar que cada um dá e faz o seu melhor.
Menos críticas e mais amor por favor!







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Comentários

  1. Como a percebo, comigo passou-se algo parecido. Só não foi um terror porque as maminhas portaram-se muito bem e o bebé apesar de preguiçoso lá ia tirando alguma coisa que além dos inchaços nunca gretaram ou inflamaram. Mas ele quase que ia ficando na maternidade por perca de peso (foi mesmo no limite) e depois duma semana em casa, ainda não tinha aumentado de peso, ainda nem estava com o peso de nascença... Lá na consulta da enfermagem não trazem os biberões mas dizem para começar com o LA, que depois até se podia tentar mais tarde voltar ao LM etc... Na verdade faz um ano no sábado e ainda bebe LA. E também bebe leite materno porque ainda não chegou a secar (tomo alguns suplementos) mas só duma mama... da "mama má" (que até foi a primeira que pegou na maternidade") não quer saber. Mas eu como sei que neste momento a maminha é mais para o confortar e acalmar do que para o alimentar, não quero saber. Nem quero saber das pessoas que agora quando perguntam "Mas ainda mama?" quando vêem um matulão daqueles que já come de quase tudo, eu digo que sim. E enquanto puder dar leite, dou. Digam lá o que disserem, tem sido um bebé extremamente saudável e se parte se dever ao meu leite, só posso agradecer :)

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  2. Concordo consigo Andreia, há que respeitar cada mãe/ família. Para mim amamentar foi uma experiência maravilhosa, tanto que dei maminha 28 meses (sim não me enganei, se bem que grande parte era de manhã e à noite). É a velha história dos palpites, também me disseram muitas vezes que era tempo demais...

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  3. Eu tive duas experiências muito boas, correu tudo bem, eles mamavam imenso, tudo bem de peso, 0 mastistes. Eu contente por lhes proporcionar aquele alimento.
    Fim da história.
    Eu sou uma pessoa muito pragmática e pés na terra e não achei nada que fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Era só bom. Como quase tudo o que está relacionado com os nossos filhos.
    Mas quando se começa a trabalhar é complicado manter a amamentação, é um bocado uma prisão. Tinha bomba, tirei algum leite de reserva mas não tinha paciência para andar de bomba atrás para todo o lado

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